segunda-feira, 30 de março de 2026

BIBELÔ

Como são tênue e grave, a dicotomia da sua pele.
Pele de artista, mãos que cantam.
A beleza de suas vestes gastas, o descompasso político, a praça te clama.Assim, como eu em meus sonhos outonais.
Sentada no café parisiense, sem nada agradar o apetite, percebo a multidão , deixo minhas luvas sob a mesa, me deparo com um bambole, dourado, brilha como os cabelos teus. Rouba toda luz da cidade, um mágico, "mon sauveur".
Ah! Saltimbanco, a família pulsa vida, liberdade, êxtase. Convida ao espetáculo, passa o chapéu
Assusto -me! Você sorri; encantamos.Tintila, sinos borboletas no meu estômago.De ti não sei, o olhar para, suas mãos vão a minha orelha, ganho uma rosa e ela um beijo. Invejo-a.
Liberdade! Liberdade!
Volto a mesa num roupante que me desperta, pego às delicadas luvas, vou-me com eles ao som dos bamdolins pra outra margem de "La Siene".Estou a distância de casa, eu só quero... liberdade. Eu só quero, tocar- te o cabelo, eu só quero ser seu bibelô.