Sinto que faltou o conto ou a vida se fez dura demais pra virar fantasia.
Sinto que faltou travessia, ou a busca da nascente se perdeu no caminho do ouro.
Tolo demais pra brilhar, ou reluzente demais pra não chamar de ouro.
Assim foi, meus olhos ofuscaram com tamanha luz, mas era uma pobre luz, que não teve tempo de ser rima.
Foi um caminho perdido, errante, não ele mas eu.
Tola poetisa que buscou o vento, não culpe ele, o caminho, os quilômetros, as veredas, os sóis, a pouca chuva, nem culpe o retirante, ele é feito de matéria sutil, leve Brumas de sonhos famintos, desejos em vão, ao "Leo", a sina de amar.
O caminho só está, duro ou não, seco ou não, rachado pelos cristais que brotam na terra, ele é só o caminho.
Mais triste ainda é pensar que podemos mudar um ou outro, retirante e caminho, ambos são sina de transmutação.
O simples ato de ir, é troféu que não justifica a chegada nem diminui a partida, muito menos o ficar.
Por mais que a cigana almeje sempre, sempre o ficar.
Faz a fogueira sempre desejando ser a última, mas ela toma tento e diz: A vida e o amor se faz pela estrada a fora.
Assim como o poeta que não sabe como começar sua arte, ele só começa sem saber onde se vai chegar, ou onde vai pousar.
Sedentos pelo relicário, ouro, bruta matéria do existir.
Amar é poder alquímico que dá sentido ao duro chão nortista.
Tú vai sangrar, chorar um rio São Francisco!
Eu sei... Mas eu quero ir.
Vai cigana ao "Leo", procurando anular o sem sentindo latente da paixão.
Ela não consegue, pois ela é quem é.
Vento, perturbador da transformação que não para onde não tem alento.
Onde não brilha fogo da cria, lá não brota semente.
Volta cigana, chora o rio, abraça o nada e ressurge da rachadura ocre, banha de alfazema, ascende o incesso de patchouli e segue o vento da bonança em outras terras longíquas