O que é ser bruxa.
Hoje entendo a impaciência de uma bruxa.
Hoje entendo a intensidade.
Hoje entendo a revolta.
Hoje entendo a liberdade.
Hoje entendo o curar.
Defeitos no perfeito caldeirão.
Varro as dores que teimam em acumular nos cantos da casa no fim da floresta.
Hoje entendo as vinte e uma luas.
Mas só com trinta e três sóis de batalhas.
Hoje entendo o quebrar da bruxa.
Hoje entendo o cobrar da bruxa.
Hoje enfim entendo o olhar da bruxa
Olhos de compaixão se viram á mim.
O poder do espelho.
Transmuta essa dor em ouro.
A maldição é o saber.
O saber é bálsamo que veneno nenhum alcança.
Mas ele pinga como hidromel , valioso saber que habita a bruxa que aceita a inércia do outro.
Grita! Faz o mundo girar e no fim abnega e deixa o tolo onde está.
Mas se um dia ela encontra o aprendiz, esse tem todos caminhos que levam a Avalon.
A permissão negada e o conto não se tornam de fadas.
Mas de duras penas nessa guerra colossal.
O que ela quer? Aquela bruxa solitária.
Beber o hidromel e abraçar árvores ancestrais.
Dançar no transe nua e se despir dessa hipocrisia alheia.
E mesmo assim curar.
Mexe o caldeirão, confirma se não falta nenhum ingrediente e consagra a bebida aos deuses.
Faz magia das entranhas do seu ser.
Para aquele desconhecido que passa pela cabana.
Tirar a venda que cega.
Mas ela pertence a ele.
O saber sem permissão de transbordar.
Move a pedreira, branda os reinos celestiais ancestrais.
Mas...Hoje; Entendo a sina de ser bruxa.
E ela é a mesma sina dos anjos.
E o desconhecido se vai.
Mais um que se vira diante a casa do fim da floresta.