sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

SENTIR AMOR

Eu quero escrever.
Mas a máxima do amor não deixa.
Esse tal de querer palpitar o amor.
Faz de nós poetas uns tolos, loucos, soberanos.
Eu quero escrever.
Pelo simples ato de construir sentir.
Mas o desejo de expressar amor perturba as horas vans.
Sublime a experiência de amar.
Poder viver a boêmia, no boteco da esquina e ver a lua nascer, expresiva e mágica.
Como amamos a lua, como amamos o sol.
Como amamos o momento de partilha.
Transbordar amor é sobre isso que quero escrever.
Bobagem a minha! É sobre isso que quero sentir.


domingo, 12 de janeiro de 2025

O ABNEGADO

Meu irmão tocava os discos do "pantera " na vitrola, eu contei, eu poderia ter falado também  que fui um milagre, uma dessas histórias de família que gosto de contar para os "chegados". Mas não contei.
E ele sabe que deveria, que tem mais, muito mais estória, que sou uma bela colcha estendida, tipo aquele pano colocado em uma sacada colonial, cuidadosamente feito de retalho, ponto a ponto e estendido para ser admirado.
Ah! Você existe, diz ele ao encontro, isso não dará certo, também diz, já prévendo o beijo tanto desejado; saltará da ânima, virá como a batida forte da forja na  bigorna do talentoso ser ancestral que habita nele.
Como não saber de pronto.
Eu sou e a potência de ser, afasta o abnegado.
Ele vive outra estória, de sangue e luta e eu, ah! eu vivo a minha.
Ele deseja puxar a cadeira e fazer- me sentar, ouvir minhas estórias de  grimório, deseja não perder algo raro. Outro anseio de tempos passados já vividos. Desconhece ele sua preciosidade.
Eu só queria ser o convencional, sem raridade, sem depois, só o aqui agora, no preparo do drinks, no choro expressado no desejo reprimido, no grito mal colocado.
Sim eu gritei e chorei, dor que veio do fundo colossal do espírito.
Eu queria ter dançando com você. Eu queria te puxado a cadeira, agora e antes.
Segue o abnegado, não sei ao certo se foi só um golpe do destino, daqueles que vem de tempos em tempos como tufões para mudar a paisagem do nosso viver. 
Mas ele não é um ser que vive, foi criado assim, abnegado, em prol da luz do outro.
Mais um Maktub se concretiza em minha vida.
Mais uma querência, mais um poderia, mais um reconhecimento, mais um sentimento sem igual, capaz de atravessar todo rio empipocado dentro de mim, toda potência para ser.
Mas não é, não choro, sigo adiante, sinto raiva.
Dúvidas, sei que encontrarei minha outra parte, sei que a linha das cartas já estão postas e outras estrelas aparecerão.
Não sei se tão potentes quanto esse abnegado ser, 
mas essa minha outra alma se foi, eu a reconheci em sua honra.
Dúvida, raiva, ciúmes, ego, ainda sigo meu caminho do calvário, gostaria de entender o porquê outra donzela foi possuidora de tí e eu o vento, só pude, atravessar você. Eu que sempre estive lá.
O calvário acabará, um dia eu sei, para ambos e entenderemos a noite quente, não naquele tempo, mas no tempo em que um "pub" era um um "pub".
Uma taverna ancestral, onde toda noite eu servia ao abnegado monge o mesmo hidromel, mesmo ele desejando tomar cerveja.
Mesmo ele desejando beijar meu colo desnudo, sensual e mágico.
Mesmo ele desejando se deleitar em meus cabelos e tocar minhas mãos quando á serviço.
O mesmo monge, a mesma bruxa.
Agora ele me diz, viva, como eu em outrora entoava o sigilo mágico nele, viva. 
Somos duas potências, ansias da deusa sob a terra olhando para margens opostas mas que cuminam na mesma fonte sagrada.
Os olhares se cruzam na taverna.

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

A HORA MÁGICA

Estava previsto que um homem lavaria meus pés.
Que passaríamos o véu do tempo e entraríamos na hora mágica.
Ainda quero estar lá.
Mas também não.
Como pode algo ser tão bom e fazer tão mal?
Peço ajuda na boca da mata.
Entramos...ela me seduz e avisa dos perigos, mas eu queria me entregar.
Invasão? 
Poder e honra que tú não sabes que teve em suas mãos.
Invasão? Se adentramos juntos as Brumas que evocamos juntos.
A magia também habita em tí.
Ele não! ele não! dizia a voz,  sensível e quase inaudível das fadas.
Sentidos embriagados pelo vinho, na noite fresca de outubro, ele entra às verdades saltam.
Salto em seu colo, me deleito com desejo em seus braços tatuados em seu mundo de sabores, cores e delicadeza que nem sabe que tens.
Desperta homem o mago que mora em seu rochedo.
Minha benção a tí.
Sei que queres me tomar ali mesmo, me jogar nas folhas irmãs.
Mas vamos ao quarto, ninho ancestral, quantas vezes estivemos lá?
E nele o  terço na parede, aguça minha recordação.
Nada disso fez sentido por tanto ter sentido a alma se foi.
Quero um amor assim, natural, mas nada tem órbita se não for dilacerante, se nas veias não pulsar a real entrega.
Entrego a ti o Punhal, mas não me feriste, eu mesma fiz. Confesso.
Escondo da visão a garrafa de vinho branco, que outrora guardei por nós.
Sinto a ausência dos seus olhos que um dia pude adentrar, colocastes novamente as vendas.
Malditas!
Tudo foi mágico naquela hora, o silêncio, a chuva, o cão a brincar, o gato a se aconchegar. Os ancestrais sabiam o que estava acontecendo.
Eu mesma não sabia, tinha vaga impressão, me entreguei a presença e isso bastava para a magia escorrer, naturalmente, como a água brota da pedreira, imundei você, eu sei que sentiste.
Na cabana sem luz, só a nossa brilhava a milhas, no ato mágico libertador, você puxou o cobertor até meus ombros eu senti. Estava feito!
Me senti protegia em ti, armadilha! 
Ilusão do portal de proteção que adentramos.
Tudo fez sentindo na hora mágica, só você não sabe disso. Não quis saber.
Eu me entreguei, fiquei refém do seu querer.
Ah, querência! A venda nos olhos, não deixaste eu tirar.
Será o único, que não me deixou ser bruxa.
Chamou por mim, gritou, implorou.
Bruxa! Bruxa!
E quando eu cheguei para atravesar a sua lama com sorrisos e horas mágicas, quebrando barreiras de penhascos e penetrei em seus olhos de hidromel.
Tão fortes e doces quanto os de um rei.
Tú negaste a magia.
Cabe a mim entender.
Cabe a mim não mais te querer.
Cabe a mim nunca mais me entregar a quem não entende o querer de uma bruxa.
Ah, querência! Teima, escorre de mim naturalmente, mas eu aprendi a te conter em mim, para eu me querer.
O crucifixo na parede irá ficar, a ladainha magia harmoniosa ecoará e que ela  possa abrir mais portais mágicos e sua vida com outra destravar.
O feitiço está feito, de uma forma ou outra eu fui bruxa onde me negaram. 
Talvez um dia a querência volte e as vendas negras caiam ao chão.
Até lá eu me ergo do mesmo chão frio que me jogaste.
Não! O chão humilhante que eu mesma  joguei-me.
Cabe a mim, nunca mais estar lá.
Cabe a mim continuar a ser bruxa.
Cabe a mim continuar a amar mas não mais te amar-te.
Estava na linha do destino, tênue, sutil em perfeita leveza, você lavaria meus pés e me negaria.


domingo, 29 de dezembro de 2024

INVASÃO

Não pira disse ele.
A fragilidade da flor não conseguiu sustentar o prometido, só um beijo.
O sol queimou.
A terra seca ficou.
Sem falar, sem tato nem contato.
A bruxa invadiu três corações.
E os loucos negaram exílio.
Só queria a bruxa o aconchego da fantasia.
Esqueceu ela que não é princesa.
O caldeirão borbulha, a magia sangra
A realidade cobra.
Vítima, não! Não seja fraca, sabes bem o que fez e o que não fez.
Dança livre bruxa, seja leve, cultive.
A irá toma conta, o grito, a mordida, o amaranhado do cabelo.
Da torre solitária ela deseja.
Estrupa, invadi, retalha.
Bondade a sua, o cerne transcende.
A algum momento a ironia acaba.
A donzela quer ser bruxa e a bruxa quer ser donzela.
Vai ao espelho.
Diga, decreta, profetiza.
Vês agora, são as mesmas 
Porque divide?
Porque queres o coração dela na caixa?
Arranque o seu.
Seja luz e sombra completa e nunca mais precisará invadir.
Quando o feiticeiro assim chegar saberás que tens o universo ao seu lado, enxergará seu coração,todas luas, todas fartas, todas, todas... Tesouro sagrado, só ele entenderá, o jardim livre à cultivo e o mar  ímpeto de nascer, que é ser mulher bruxa e donzela.



quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

A MINHA ESTÓRIA SEM FIM

Então vamos lá!
Disse ao gato, que se recusava a levantar da beira do caldeirão:
- Gato dorminhoco! Irei arrumar outro amigo e quando assim eu fizer não adianta ronronar atrás de mim.
Mas nem adiantou; o gato afrontoso, deu-lhe um miado e se enrolou de novo, confortavelmente em seu mundo.
A bruxinha de dez anos, deu as costas e saiu pelo castro costeiro de baronã a queimar a cuca em pensamentos de qual animal seria seu novo amigo, foi ao encontro do mar, mas não tirou as sandálias, o mar não a interessava, não naquele dia cinza na antiga Galiza.
Então a bruxa ruiva, rumou para a floresta, talvez sim aquele dia seria mais interessante lá, talvez um troll apareceria para ela ou talvez  ainda uma fada, mas dessa ela tinha medo, pensava e pensava...
Essa é a nossa bruxa galega, ela tem cheiro de blueberry.
O dragão tinha saído do ovo há alguns dias, se sentia só, porque seus irmãos ainda não tinham rompido aquela casca rosa de bolinhas amarelas e sua mãe ainda estava lá a cuidar, mas ele saiu antes, se sentiu corajoso, queria ele sentir os cheiros, queria ele ver as cores, queria ele um...amigo.
Sentiu o cheiro da floresta úmida, o cheiro do cogumelo e o seu cheiro, ele não sabia mas era um doce cheiro de algodão e vanilla.
Aprendeu o dragãozinho a ficar invisível e sua mãe o alertou do bicho humano.
A cor azul predominava na suas escamas, fruta cor.
Era um bichinho lindo de se vê.
Mágico e sensível.
Batia as asinhas e comia cornus.
Mas ainda se sentia só.
Então a bruxa ruiva se dirigia a floresta, gostaria de contar que foi um espantoso encontro, cheio de "de repente" mas foi algo bem normal.
Se olharam e se estranharam.
A bruxinha perguntou a sí mesma que animalzinho seria aquele, já tinha ouvido estória sobre, mas achou que "aquilo" seria pequeno demais pra ser o terrível dragão, que seu avô Alan contava.
Mas depois dele sair de trás da árvore e ficar visível novamente, não teve mais dúvidas, era um bebê dragão.
Para ambos a visão era linda de se vê, ele fruta cor ela vermelha que só.
Foram se aproximando e a bruxa corajosa, passou a mão nas frias escamas.
Ele reparou nas cores dela, o cabelo vermelho, o rosto pintadinho, branca e com os olhos azuis como ele, o vestido também branco a capa também era azul, pensou ele a humana deve gostar da cor azul, então ela gostou de mim, mas nem de longe era o terrível humano que a mãe alertou, ela era ainda um bebê humano.
Então será que poderiam ser amigos?
Andaram juntos pela floresta e ele foi até perto do castro, ela lhe mostrou o mar e contava sobre tudo do seu pequeno mundo. 
Sim eles se tornaram amigos.
E o gato da bruxa, nem se importou; continuou a dormir, quando avistou o dragãozinho olhando pela janela 
Para o dragão era incrível, ela cheirava blueberry.

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

CELESTIAL

Ah yule!  será que de ti tudo já escrevi?
Sinto a terra fria descalça entre a floresta da ilha esmeralda.
Os musgos são eles, que conectam o pulsar e o viver.
Continuo a colher meus cogumelos.
Doce cheiro embriagante.
O leite da cabra, o pão de galway
O cornus e o azevinho.
Espreito o momento certo do druida disser.
E para mim yule só começava naquela manhã quando ele dizia:
- Está pronto o hidromel!
Ah yule! de ti só sei sentir sua presença.
Nada poderia abater sobre o casa do penhasco.
Naquela noite escura e invernosa de yule, o coração protegido e  aquecido da menina bruxa.
Para mim yule é a presença do aconchego e do zelo no ceio familiar e a certeza na fé trazida pela estrela mística de que o deus sol voltará a aquecer.
Perfeito parto celestial.
Pela honra da deusa na terra.



terça-feira, 3 de dezembro de 2024

TSARA QUENTE

Desejo sua tsara quente.
O pão ofertado.
E quando faltar as sandálias
Não lhe falte poeira  que suba na estrada e faça você continuar.
Caminhas se quiser.
Se não esmoreça em alguma parada qualquer.
A lua continuará a iluminar as profundas fendas da sua pele.
Refletirá sua luz no olhar se assim tu quiseres.
Dourado é a luz que desce em ti.
Se transmuta com o puro lilás.
Riqueza sem explicação.
Humanos, humanos...
Só nos resta a boa fé.
Eu lhe mando a chuva.
Tu aceitas se quiser.
Eu mando a benção.
Tu rejeita se quiser.
Te mando a sorte.
Tu rola os dados se quiser.
No pedido que se decreta 
A magia se fortalece.
A certeza do sol perante a tempestade nada mais clichê, nada mais sal.
A roda da carroça para
E então? 
Trocamos amanhã.

sábado, 30 de novembro de 2024

A SINA DA BRUXA

Hoje começo a entender, depois de uma sangrenta jornada em campos lamaçais.
O que é ser bruxa.
Hoje entendo a impaciência de uma bruxa.
Hoje entendo a intensidade.
Hoje entendo a revolta.
Hoje entendo a liberdade.
Hoje entendo o curar.
Defeitos no perfeito caldeirão.
Varro as dores que teimam em acumular nos cantos da casa no fim da floresta.
Hoje entendo as vinte e uma luas.
Mas só com trinta e três sóis de batalhas.
Hoje entendo o quebrar da bruxa.
Hoje entendo o cobrar da bruxa.
Hoje enfim entendo o olhar da bruxa 
Olhos de compaixão se viram á mim.
O poder do espelho.
Transmuta essa dor em ouro.
A maldição é o saber.
O saber é bálsamo que veneno nenhum alcança.
Mas ele pinga como hidromel , valioso saber que habita a bruxa que aceita a inércia do outro.
Grita! Faz o mundo girar e no fim abnega e deixa o tolo onde está.
Mas se um dia ela encontra o aprendiz, esse tem todos caminhos que levam a Avalon.
A permissão negada e o conto não se tornam de fadas. 
Mas de duras penas nessa guerra colossal.
O que ela quer? Aquela bruxa solitária.
Beber o hidromel e abraçar  árvores ancestrais.
Dançar no transe nua e se despir dessa hipocrisia alheia.
E mesmo assim curar.
Mexe o caldeirão, confirma se não falta nenhum ingrediente e consagra a bebida aos deuses.
Faz magia das entranhas do seu ser.
Para aquele desconhecido que passa pela cabana.
Tirar a venda que cega.
Mas ela pertence a ele.
O saber sem permissão de transbordar.
Move a pedreira, branda os reinos celestiais ancestrais.
Mas...Hoje; Entendo a sina de ser bruxa.
E ela é a mesma sina dos anjos.
E o desconhecido se vai.
Mais um que se vira diante a casa do fim da floresta.
A bruxa se fez bruxa.

domingo, 20 de outubro de 2024

Meneiar

Ah! final de ciclo.
Dias de chuva.
Quando partir eu sentirei falta dos dias de chuva.
E tudo que nele cabe.
A alma do pub.
As almas vans.
A Luz que se apaga.
A vela que se ascende.
No dia de chuva, o navio atraca.
Caldos quentes.
Banhos milagrosos.
A gordura da baleia trocada.
O piano no canto.
A risada sem sentido.
E as dores do marinheiro vão se indo, com a lareira a creptar.
E a chuva não vai passar.
Pode até ser que se torne tempestade, mas ele está lá no Pub a se deleitar.
Agradece aos deuses.
E pedi mais um hidromel para ir se repousar.
Ah! dias de chuva, Ah! fim de ciclo.
Olho pela janela e outros marinheiros sei que irão chegar.
Penso, não posso me apaixonar, por um corajoso marujo, eu hei de  sofrer no esperar e partir.
Não! Não posso me deixar lundibriar, parecem que eles aprenderam com as Merrows esse labor.
O sino toca a porta se abre, chegam, encharcados, vão se despindo.
Dou as costa para colocar mais água no caldeirão para os banhos, jogo magia e deixo um rastro.
Meneio a noite a fora nos afazeres, para não dar abertura aos delírios exalantes.
Eu...eu sou apenas uma simples bruxa.
Que admira dias de chuva.


domingo, 22 de setembro de 2024

amor pirata

Fazer poema da sina 
O que resta para uma bruxa
Apaixonada por príncipes óbvios
Profetas obvios.
Ruiva barba bandida, pirata de sorrisos.
Queria seus olhos em mim.
Entenda a minha sina.
Apaixonada pelo encontro profético que o portal trouxe a mim
Espero eu um dia, uma tarde poder em você sonhar...
Mar a fora se vai, ascena para mim, sei que um dia hei de nós esbarrar.
Obviamente irá disse: como sempre perfumada.
Tudo que o mar leva ele à de devolver.

terça-feira, 3 de setembro de 2024

moleca

A flor da cor do por do sol.
Assim deve ser a poesia.
Mas ela tem cor e sabor?
Do que se trata a trama do vestido da vida?
Devo fazer poesia...
Mas só penso naquela moleca.
Sabida que me disse que moleca é a menina que cresce e ainda tem suas pelúcias pela cama.
Ah! menina moleca, essa Maria.
Não entende de cores e sabores, nem de poesia.
Mas sabe da vida!

domingo, 25 de agosto de 2024

A carne

Ah morena!
Não sabe quanto seu corpo provoca, as curvas da vida, o amaranhado no seu cabelo.
Ah! Bruxa.
Ah! Mulher.
Tu sabe sim que a flor do libido,está na derme.
Na boca mel, o cálice dos deuses.
Toda você é gaia é fruto carnudo que sacia a alma dos aflitos.
Mas e tú? O que sacia-te?
Gota que chora, cor que desnuda, nudez que questiona a dor efêmera.
Dor que cria o êxtase, dor que pare o hidromel.
O vazio não é nada sem você.
O nada, o vazio e a mulher
Triskele eterno.
Silêncio.
Nasceu a bruxa.

sábado, 27 de julho de 2024

amar e sofrer

Ainda a usar a escrita como remédio.
As formas de amar.
As formas de sofrer
De que vale a vida sem ambos?
Impossível prever.
Nem nas cartas da cigana.
O óbvio dessa antologia.
Sujeitos a amar, sujeitos a sofrer.
Mas no fim o que sobra?
É o que alimentamos, o que nós sacia é o que plantamos, somos agricultores natos desse sentir insano.
E por mais que queiramos pular estações e bular leis terrenas... Não adianta termos que passar por todas provações do plantar amor.
Ora sol, ora chuva, tempestades e momentos propícios.
Na agriculta da vida, o que vale é o que nós alimenta.
É o que alimentamos.
É nutrir sagrado do entender o que queremos o que é bom ameno e suficiente ,produtivo a nossa terra.
Pobre coração humano.
Brinca ainda na infância, sem saber da potência de ser humano.
Correm da dor, mas não sabem que ela é ferramenta que labuta a terra e sem ela, não á o doce de nenhuma fruta.
Não estamos determiados a sofrer, entendam!
Estamos fadados a amar.

quinta-feira, 25 de julho de 2024

Alimentar

O que sobra é aquilo que alimenta.
O que nós alimenta é também nossa sina.
Bendita, santa, profana.
O laço que tú queres, alimentar.
É o seio farto da mãe do mar.
É o seio murcho da imigrante a gritar.
Joguem ao mar!
De angústia se faz, terra á vista!
Vida silenciada.
Boêmia, sofrida.
Barganha.
Para que? Alimentar.
Terra feita de América.
Sonho vendido, iludida.
Café, leite e polenta.
Cortiço, casarão, solar.
Banco, praça.
Suspirar.
"Ore pro nobis" na capela à brilhar.
O que sobra? É a busca
Do alimentar.

sexta-feira, 12 de julho de 2024

Sentir a Cor

O sono invade, depois do bom chá, mas a vontade de escrever ainda me faz ir além.
Não tenho mais você, nem mesmo a estória a se criar.
Nada faz sentindo, nada mais me apetece 
Nem a cor nem a folha que cai, não modulo nesse mundo.
A magia poderia me levar.
Mas não sei pra onde.
Talvez para o meu quarto adolescente, talvez para o reino das fadas.
A espera do portal estou, aquele que abre em mim a cada milênio como a flor de lótus do imperador.
Nem o roxinol canta.
Não há alegria que aprisiona a beleza.
Não há espelho mágico que mate o simplório e bom.
Nada me apetece, nem brilho nem fuligem.
Tudo parece enganador.
Talvez eu volte a desvendar mistérios de Agatha Cristian.
Talvez eu volte a colorir as bordas do meu caderno.
Talvez eu volte a sentar em bancos.
Talvez eu volte a sentir a cor.
Mas agora sem você.
Porque a cor que tu via não era a mesma que eu sentia.
Sei que não entendeu.
Mas eu só queria estar com você a beira do penhasco, em uma choupana europeia e você fosse colher lenha para a lareira.
Eu só queria sentir a cor da nossa cumplicidade envelhecida nas nossas mãos entrelaçadas.
E rir de tudo com o mesmo tom adolescente no qual sentavamos no sofá, para deliciarmos com chocolate.
Mas talvez eu entenda ... A cor que a vida ainda pode ter, agora sem você.
E eu só queria sua boca em mim eu só queria seu olhar me zelando e suas mãos construindo.
Vou ascender a lareira que ainda não foi construída e...sentir a cor de estar só.
Criar algo e me sentir, antes que pensamentos ágeis roubem o sono que agora chegou.