domingo, 22 de junho de 2025

Mineral

Nosso sangue é irrigado de minerais, somos feitos de
Água.
Barro.
Nossos ossos e DNA da poeira das estrelas
Nossos olhos de cristal.
Moldados de magia.
Vindos do parto primordial.
Seres galácticos honrando Gaia"

domingo, 15 de junho de 2025

O PALHAÇO E A CIGANA

A madrugada vem vindo, rompendo os mistérios do mundo.
Trás  o  Alado Pegasus os segredos do palhaço.
O grisalho de seus cabelos refletem os contos plateados de outrora.
Pela estrada de pedra mineira.
Entre a neblina, ele o palhaço cansado vai...
Vai...ver o amanhã purpura nascer.
Desejo eu o palhaço.
Seu trejeito de ser, incomoda os capitães quadrados.
O palhaço só sabe ver o mundo em círculos.
O picadeiro, que pisca pisca as estrelas do céu em cima do caixote ele agora diz adeus a última delas.
O dia raiou.
E o palhaço não deixou de ser palhaço.
Sua sina é devanear.
O mundo precisa do palhaço, mas ele não precisa de absolutamente nada.
O palhaço não entende as horas vans.
Pensa, pensa, coloca a viola nas costa, ajeita o chapéu e vai embora.
Eu desejo o palhaço.
Ele ri mais chora, como eu a rumar minha vida para outra cidadela.
Lá vai cigana, rir e chorar de paixões por outro amanhecer.
A carroça vai girando e o beijo sonhado tintila na pulseira, lá vai ela chorando de desejo do ficar.
A flor cai dos cabelos ela não volta pra buscar.
Nem sabe ela que ali, esperando a caravana passar o palhaço também chora pegando ao chão a flor que a amada deixou derrubar.
Em um ato de esperança a beija imaginando o dia que a bela cigana irá voltar.

O QUINTAL

Escrever pelo simples ato de escrever , nada mais comum para começar um conto.
Nem sei ao certo se assim será, poderia escrever sobre o povo das estrelas e suas carroças que carregam o ouro.
Poderia escrever sobre a menina que andava de bicicleta e daquela outra que ia a pé na estrada de terra para escola, poderia de certo escrever sobre  o vento e a ira dos deuses, das maçãs de Avalon, da represa da cidade, do mar não visto.
Ou então sobre as muralhas da china, dos pesadelos com lobisomem, do giro do facão no ar, na flor de lótus que me transformei, do quarto rosa e do diario, da cidade inteirinha que cabia na oficina do pai.
Do beijo, da paixão, da vida planejada no plainer de 2017.
Ah, mas sabem! Nada quero contar nesse conto extasiante, tudo cabe em mim , existe uma Disney inteirinha na minha caixola e nas minhas recordações.
Do conto da ilha esmeralda aos batuques da umbanda ancestral nos círculos de pedra, ou as horas sem fim lendo a menina da ponte.
Dos lápis de cor a saia de prega e os jeans despojados de dois mil.
Dos navios e devoções, da dor e das frustrações, dos risos e dos circos, das estórias de fantoches ao trabalho árduo, que conto cabe em uma vida?
Do rock ao samba, dos vestidos floridos ao xales.
Então talvez aqui agora eu devesse revelar, a falta de foco para saber por onde começar me faça assim, isso e também aquilo, mais nada, sem começo e sem fim.
Da escrita rítmica a deslexia da palavra, de quantos cadernos de caligrafia lembro?
Do caminho até a venda da esquina, do leite comprado, da prata encontrada, dos shorts perdido.
Você está crescendo! Na novidade no lixo do banheiro.
Do anel roubado dos óculos quebrado, do casamento desfeito como o filtro dos sonhos.
Das dores imensuráveis dos monstros noturnos , do farfalhar do jambeiro.
Das brincadeiras embaixo da pitangueira, do beijo desejado naquele banco da praça, do fardo de açúcar escuro que meu avô podia comprar, da cardeneta, da lata de óleo, do cachimbo da dona parecidinha.
Ah! Agora nesse louco carrossel de mente eloquente e tecnológica, começo a me conectar e cada vez mais relaxar e a letra também, vai se espalhando,não sei se tal conto vai para a páginas da internet, não sei se a fotografia da minha mãe se mexia ou  se eu mexia com ela quando ria de suas meias brilhantes dos anos setenta.
Sonhava eu em virar mocinha e poder dormir de bobs no cabelo.
Relaxo e me vem a mente o quintal.
Ah! Quintal ancestral meu avô Antônio vem ali, já tratou das galinhas já rezou sua ladainha o que mais pode ele fazer naquela tarde vazia? Receber as netas e esperar a algazarra noturna:
- Tá na hora,  podem desligar a tv, vão dormir a noite vai ser fria, cobrem a cabeça porque vai giar.
Então as meninas só queriam estar e voltar para a época que seus pais eram crianças e dormir no quarto que era deles e espiar pela janelinha os fantasmas, as almas penadas que iam rezar na igrejinha, a mesma que badalou o sino e as menininhas tão, tão cansadas  já foram para o reino dos sonhos embaladas pelo cheiro da dama da noite. A avó vem benzer os corpinhos e vai dormir.
Silêncio; paz; eu poderia contar sobre o pano de chita sob a mesa, do chão vermelho e da famosa cortina de bambum que tintilava seu som como a chamar fadas, para mim ela era um portal que separava a realidade e casa dos avós, qualquer um que ali adentrava sabia disso, ia entrando atraídos pelo aroma do café, e quando passava por ela já não era o mundo todo lá fora era apenas a casa dos avós 
Eu poderia contar sobre isso, agora que minha mente se acalmou, estou lá e me lembro do balançar das pernas sentada na cadeira da cozinha, do biscoitinho e do andar vagaroso, da talha de água fresquinha, do sol na janela que dava para o quintal.
Ele, mágico quintal onde os seres naturais me contavam segredos do reino deles e me pediam para fazer travessuras, abrir a porta do galinheiro ou panhar o limão não maduro, só pra ouvir a avó dizer:
-  É coisa do saci.
Dávamos gargalhadas atrás da árvore, ela não nos via, ou fingia não ver?
Já não sei a letra está aberta e feia e já vai pra duas folhas essa recordações ,volto ao tempo, bem! Estou aqui e só me resta saudades, do tempo que não me importava com o tempo e os dias passavam rápidos como o giro da bailarina da caixinha de música, hora do jantar.
E mais nada , meu conto poderia ser, talvez seja mas creio que deva ser apenas lembranças.
Vou fazer mais isso, voltar a mim ao meu ser mágico, relaxada deitada no meu quintal mágico.


terça-feira, 3 de junho de 2025

OS PORTÕES DE MINA

Avistei Antália ...
Pra mim um sonho, mas se tornou real, tal qual as poeiras da Capadócia.
Bato no portão de Mina.
A grande cruz do Cristo, sob a égide do mar mediterrâneo.
O porto é nosso!
A pouco atravesei o Monte Tauro, quantas estórias os rios que correm para Síria e o Iraque tem para contar, desse povo mesopotâmico.
Quantas cerâmicas, quantas danças.
Is curdos e seus tambores e lenços e alegria 
Agora somente um filete de água, reflete o sangue derramado na terra.
Salve o tigre em eufrares.
A bandeira vermelha bailarina nas rajadas do vento milenar, despertam meu DNA.
Mas ela está lá erguida ainda em muralhas grandiosas.
Turquia, Constantinopla.
Um nome que muito escrevi em meus cadernos de adolescente 
O doce mediterrâneo, me traz de volta ao portão.
Me delícarei daqui a pouco com seus peixes e temperos.
O doce da terra prometida.
Damascos que eles chamam de Camar.
É óbvio que andarei por fora das muralhas e ouvirei os sons dos otomanos.
O céu é pra todos!
A magia do incenso nos une, passo sobre as mesquitas, finjo-me cigana e ninguém irá incomodar.
Ah! Cheiro abençoado da mirra,  recorda-me terras longínquas.
Em meu sonho real de Turquia.

quarta-feira, 9 de abril de 2025

NADA

Nesse mar de tudo eu sou
O serei e o será
Não me alcançam.
Descido só ser.
Ser tudo nesse nada.
No balanço da rede a vida se faz, não precisamos fazer ela já é.
Não estou de papo pro ar,faço, mas não faço, entendem?
O vazio do pensar é o segredo, mas se penso não sou, se sou não preciso pensar.
Ah, isso tá difícil de explicar.
Silêncio.

segunda-feira, 7 de abril de 2025

O SORRISO

Nada mais belo que o sorriso, criação humana expressão da anima.
De quantos mais poemas serei feita?
De quantos mais: se acalme! Serei moldada
Volto a mim, ao centro, busco o eu superior.
Liberto-me.
Procuro proposito?
Ele sou eu e já é.
Já está!
Sorri, garota!
Apenas siga, seja, leve, sempre, sua.
Sou minha e de mais ninguém, pertenço-me.
Sou, sorriso.
Nem passado nem futuro, realidade,presente.
Não lua, não sol, sou terra.
Gaia pulsa em mim.
A força da deusa sou eu.
Sorrioso.
Nasceu do ventre a criação.
Não pensar, vazio, o tudo no nada...
Escutasse o sorriso da elevação.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

CAVALO BRANCO

As cartas do tarô dissem.
O baralho desembaralhar a vida.
A rosa trouxe você pra mim.
Vejo você anotando no caderno 
Datas? Números? Intuições?
Mensagens da natureza.
Adentra sua psique.
Faz mironga no coração.
Ativa o santo ori.
Lá do oriente.
Vem chegando o cavaleiro.
O príncipe no seu cavalo branco.
Mas nessa fatídica noite ele se banha de lama e sangue.
Ante o penhasco ele se assusta
Chuva forte, nunca vi igual.
O vento presságia a chegada real.
Orgulho quebrado, como a coluna soberana,soberba mistura com o cheiro da inflexível armadura.
Quase não posso narrar não vejo, apenas o levanto, vou arrastando, retiro o peso, deixo o leve para seguir até a casa.
A casa da bruxa.
Banho.
Ainda desmaiado, consigo com esforço coloca-lo no leito.
Água.
Cuidados, choros, amores 
Atravessou o mar, deixou o ouro.
Encontrou a liberdade.
Onde a cabeça reina as pernas alcançam.
Desfruta a vida com a bruxa.
Outro dia, o cavalo retorna.
A vida continua.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

histeria

Bálsamo, remédio curador.
Tomo doses de escrita, pra compor minha anti dor.
Tento me curar 
Vou á lama desse ser, tão profundo, tão impertinente, me perguntou porque da criação.
Escolhas que nós fazem estar onde não queremos estar.
Mas se não fosse para estarmos onde estamos onde fica o livre pensar.
No penar do determinismo.
Sou um ser errante, que poucos gostam, me chamaram de louca, me sinto um Dom Quixote de la Mancha em seu delírio paranóico.
E os que gostam faço não gostar, precisava de sangrar com o aparato de Mesmer.
Muito sangue pra rolar até se acalmar.
Tinge as vestes l' crema.
O sol francês queima.
Lá vou eu revisitar.
Não quero essa onda, prefiro sofrer aqui.
Imóvel...insiste, o cheiro do sangue chega às narinas.
Não consigo, vejo toda cena histérica.
Sinto a força das vestes e o chaqualhão da carruagem:
_ Ela não tem mais jeito, nem a sangria resolve.
_Silêncio, vai acordar os vizinhos, basta os gritos abafados. Se deixarmos nos ver o dr nos mata.
_ Ela adormeceu? Linda senhoria, deveria estar a bordar enxoval,porque deus?


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

SENTIR AMOR

Eu quero escrever.
Mas a máxima do amor não deixa.
Esse tal de querer palpitar o amor.
Faz de nós poetas uns tolos, loucos, soberanos.
Eu quero escrever.
Pelo simples ato de construir sentir.
Mas o desejo de expressar amor perturba as horas vans.
Sublime a experiência de amar.
Poder viver a boêmia, no boteco da esquina e ver a lua nascer, expresiva e mágica.
Como amamos a lua, como amamos o sol.
Como amamos o momento de partilha.
Transbordar amor é sobre isso que quero escrever.
Bobagem a minha! É sobre isso que quero sentir.


domingo, 12 de janeiro de 2025

O ABNEGADO

Meu irmão tocava os discos do "pantera " na vitrola, eu contei, eu poderia ter falado também  que fui um milagre, uma dessas histórias de família que gosto de contar para os "chegados". Mas não contei.
E ele sabe que deveria, que tem mais, muito mais estória, que sou uma bela colcha estendida, tipo aquele pano colocado em uma sacada colonial, cuidadosamente feito de retalho, ponto a ponto e estendido para ser admirado.
Ah! Você existe, diz ele ao encontro, isso não dará certo, também diz, já prévendo o beijo tanto desejado; saltará da ânima, virá como a batida forte da forja na  bigorna do talentoso ser ancestral que habita nele.
Como não saber de pronto.
Eu sou e a potência de ser, afasta o abnegado.
Ele vive outra estória, de sangue e luta e eu, ah! eu vivo a minha.
Ele deseja puxar a cadeira e fazer- me sentar, ouvir minhas estórias de  grimório, deseja não perder algo raro. Outro anseio de tempos passados já vividos. Desconhece ele sua preciosidade.
Eu só queria ser o convencional, sem raridade, sem depois, só o aqui agora, no preparo do drinks, no choro expressado no desejo reprimido, no grito mal colocado.
Sim eu gritei e chorei, dor que veio do fundo colossal do espírito.
Eu queria ter dançando com você. Eu queria te puxado a cadeira, agora e antes.
Segue o abnegado, não sei ao certo se foi só um golpe do destino, daqueles que vem de tempos em tempos como tufões para mudar a paisagem do nosso viver. 
Mas ele não é um ser que vive, foi criado assim, abnegado, em prol da luz do outro.
Mais um Maktub se concretiza em minha vida.
Mais uma querência, mais um poderia, mais um reconhecimento, mais um sentimento sem igual, capaz de atravessar todo rio empipocado dentro de mim, toda potência para ser.
Mas não é, não choro, sigo adiante, sinto raiva.
Dúvidas, sei que encontrarei minha outra parte, sei que a linha das cartas já estão postas e outras estrelas aparecerão.
Não sei se tão potentes quanto esse abnegado ser, 
mas essa minha outra alma se foi, eu a reconheci em sua honra.
Dúvida, raiva, ciúmes, ego, ainda sigo meu caminho do calvário, gostaria de entender o porquê outra donzela foi possuidora de tí e eu o vento, só pude, atravessar você. Eu que sempre estive lá.
O calvário acabará, um dia eu sei, para ambos e entenderemos a noite quente, não naquele tempo, mas no tempo em que um "pub" era um um "pub".
Uma taverna ancestral, onde toda noite eu servia ao abnegado monge o mesmo hidromel, mesmo ele desejando tomar cerveja.
Mesmo ele desejando beijar meu colo desnudo, sensual e mágico.
Mesmo ele desejando se deleitar em meus cabelos e tocar minhas mãos quando á serviço.
O mesmo monge, a mesma bruxa.
Agora ele me diz, viva, como eu em outrora entoava o sigilo mágico nele, viva. 
Somos duas potências, ansias da deusa sob a terra olhando para margens opostas mas que cuminam na mesma fonte sagrada.
Os olhares se cruzam na taverna.

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

A HORA MÁGICA

Estava previsto que um homem lavaria meus pés.
Que passaríamos o véu do tempo e entraríamos na hora mágica.
Ainda quero estar lá.
Mas também não.
Como pode algo ser tão bom e fazer tão mal?
Peço ajuda na boca da mata.
Entramos...ela me seduz e avisa dos perigos, mas eu queria me entregar.
Invasão? 
Poder e honra que tú não sabes que teve em suas mãos.
Invasão? Se adentramos juntos as Brumas que evocamos juntos.
A magia também habita em tí.
Ele não! ele não! dizia a voz,  sensível e quase inaudível das fadas.
Sentidos embriagados pelo vinho, na noite fresca de outubro, ele entra às verdades saltam.
Salto em seu colo, me deleito com desejo em seus braços tatuados em seu mundo de sabores, cores e delicadeza que nem sabe que tens.
Desperta homem o mago que mora em seu rochedo.
Minha benção a tí.
Sei que queres me tomar ali mesmo, me jogar nas folhas irmãs.
Mas vamos ao quarto, ninho ancestral, quantas vezes estivemos lá?
E nele o  terço na parede, aguça minha recordação.
Nada disso fez sentido por tanto ter sentido a alma se foi.
Quero um amor assim, natural, mas nada tem órbita se não for dilacerante, se nas veias não pulsar a real entrega.
Entrego a ti o Punhal, mas não me feriste, eu mesma fiz. Confesso.
Escondo da visão a garrafa de vinho branco, que outrora guardei por nós.
Sinto a ausência dos seus olhos que um dia pude adentrar, colocastes novamente as vendas.
Malditas!
Tudo foi mágico naquela hora, o silêncio, a chuva, o cão a brincar, o gato a se aconchegar. Os ancestrais sabiam o que estava acontecendo.
Eu mesma não sabia, tinha vaga impressão, me entreguei a presença e isso bastava para a magia escorrer, naturalmente, como a água brota da pedreira, imundei você, eu sei que sentiste.
Na cabana sem luz, só a nossa brilhava a milhas, no ato mágico libertador, você puxou o cobertor até meus ombros eu senti. Estava feito!
Me senti protegia em ti, armadilha! 
Ilusão do portal de proteção que adentramos.
Tudo fez sentindo na hora mágica, só você não sabe disso. Não quis saber.
Eu me entreguei, fiquei refém do seu querer.
Ah, querência! A venda nos olhos, não deixaste eu tirar.
Será o único, que não me deixou ser bruxa.
Chamou por mim, gritou, implorou.
Bruxa! Bruxa!
E quando eu cheguei para atravesar a sua lama com sorrisos e horas mágicas, quebrando barreiras de penhascos e penetrei em seus olhos de hidromel.
Tão fortes e doces quanto os de um rei.
Tú negaste a magia.
Cabe a mim entender.
Cabe a mim não mais te querer.
Cabe a mim nunca mais me entregar a quem não entende o querer de uma bruxa.
Ah, querência! Teima, escorre de mim naturalmente, mas eu aprendi a te conter em mim, para eu me querer.
O crucifixo na parede irá ficar, a ladainha magia harmoniosa ecoará e que ela  possa abrir mais portais mágicos e sua vida com outra destravar.
O feitiço está feito, de uma forma ou outra eu fui bruxa onde me negaram. 
Talvez um dia a querência volte e as vendas negras caiam ao chão.
Até lá eu me ergo do mesmo chão frio que me jogaste.
Não! O chão humilhante que eu mesma  joguei-me.
Cabe a mim, nunca mais estar lá.
Cabe a mim continuar a ser bruxa.
Cabe a mim continuar a amar mas não mais te amar-te.
Estava na linha do destino, tênue, sutil em perfeita leveza, você lavaria meus pés e me negaria.


domingo, 29 de dezembro de 2024

INVASÃO

Não pira disse ele.
A fragilidade da flor não conseguiu sustentar o prometido, só um beijo.
O sol queimou.
A terra seca ficou.
Sem falar, sem tato nem contato.
A bruxa invadiu três corações.
E os loucos negaram exílio.
Só queria a bruxa o aconchego da fantasia.
Esqueceu ela que não é princesa.
O caldeirão borbulha, a magia sangra
A realidade cobra.
Vítima, não! Não seja fraca, sabes bem o que fez e o que não fez.
Dança livre bruxa, seja leve, cultive.
A irá toma conta, o grito, a mordida, o amaranhado do cabelo.
Da torre solitária ela deseja.
Estrupa, invadi, retalha.
Bondade a sua, o cerne transcende.
A algum momento a ironia acaba.
A donzela quer ser bruxa e a bruxa quer ser donzela.
Vai ao espelho.
Diga, decreta, profetiza.
Vês agora, são as mesmas 
Porque divide?
Porque queres o coração dela na caixa?
Arranque o seu.
Seja luz e sombra completa e nunca mais precisará invadir.
Quando o feiticeiro assim chegar saberás que tens o universo ao seu lado, enxergará seu coração,todas luas, todas fartas, todas, todas... Tesouro sagrado, só ele entenderá, o jardim livre à cultivo e o mar  ímpeto de nascer, que é ser mulher bruxa e donzela.



quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

A MINHA ESTÓRIA SEM FIM

Então vamos lá!
Disse ao gato, que se recusava a levantar da beira do caldeirão:
- Gato dorminhoco! Irei arrumar outro amigo e quando assim eu fizer não adianta ronronar atrás de mim.
Mas nem adiantou; o gato afrontoso, deu-lhe um miado e se enrolou de novo, confortavelmente em seu mundo.
A bruxinha de dez anos, deu as costas e saiu pelo castro costeiro de baronã a queimar a cuca em pensamentos de qual animal seria seu novo amigo, foi ao encontro do mar, mas não tirou as sandálias, o mar não a interessava, não naquele dia cinza na antiga Galiza.
Então a bruxa ruiva, rumou para a floresta, talvez sim aquele dia seria mais interessante lá, talvez um troll apareceria para ela ou talvez  ainda uma fada, mas dessa ela tinha medo, pensava e pensava...
Essa é a nossa bruxa galega, ela tem cheiro de blueberry.
O dragão tinha saído do ovo há alguns dias, se sentia só, porque seus irmãos ainda não tinham rompido aquela casca rosa de bolinhas amarelas e sua mãe ainda estava lá a cuidar, mas ele saiu antes, se sentiu corajoso, queria ele sentir os cheiros, queria ele ver as cores, queria ele um...amigo.
Sentiu o cheiro da floresta úmida, o cheiro do cogumelo e o seu cheiro, ele não sabia mas era um doce cheiro de algodão e vanilla.
Aprendeu o dragãozinho a ficar invisível e sua mãe o alertou do bicho humano.
A cor azul predominava na suas escamas, fruta cor.
Era um bichinho lindo de se vê.
Mágico e sensível.
Batia as asinhas e comia cornus.
Mas ainda se sentia só.
Então a bruxa ruiva se dirigia a floresta, gostaria de contar que foi um espantoso encontro, cheio de "de repente" mas foi algo bem normal.
Se olharam e se estranharam.
A bruxinha perguntou a sí mesma que animalzinho seria aquele, já tinha ouvido estória sobre, mas achou que "aquilo" seria pequeno demais pra ser o terrível dragão, que seu avô Alan contava.
Mas depois dele sair de trás da árvore e ficar visível novamente, não teve mais dúvidas, era um bebê dragão.
Para ambos a visão era linda de se vê, ele fruta cor ela vermelha que só.
Foram se aproximando e a bruxa corajosa, passou a mão nas frias escamas.
Ele reparou nas cores dela, o cabelo vermelho, o rosto pintadinho, branca e com os olhos azuis como ele, o vestido também branco a capa também era azul, pensou ele a humana deve gostar da cor azul, então ela gostou de mim, mas nem de longe era o terrível humano que a mãe alertou, ela era ainda um bebê humano.
Então será que poderiam ser amigos?
Andaram juntos pela floresta e ele foi até perto do castro, ela lhe mostrou o mar e contava sobre tudo do seu pequeno mundo. 
Sim eles se tornaram amigos.
E o gato da bruxa, nem se importou; continuou a dormir, quando avistou o dragãozinho olhando pela janela 
Para o dragão era incrível, ela cheirava blueberry.

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

CELESTIAL

Ah yule!  será que de ti tudo já escrevi?
Sinto a terra fria descalça entre a floresta da ilha esmeralda.
Os musgos são eles, que conectam o pulsar e o viver.
Continuo a colher meus cogumelos.
Doce cheiro embriagante.
O leite da cabra, o pão de galway
O cornus e o azevinho.
Espreito o momento certo do druida disser.
E para mim yule só começava naquela manhã quando ele dizia:
- Está pronto o hidromel!
Ah yule! de ti só sei sentir sua presença.
Nada poderia abater sobre o casa do penhasco.
Naquela noite escura e invernosa de yule, o coração protegido e  aquecido da menina bruxa.
Para mim yule é a presença do aconchego e do zelo no ceio familiar e a certeza na fé trazida pela estrela mística de que o deus sol voltará a aquecer.
Perfeito parto celestial.
Pela honra da deusa na terra.



terça-feira, 3 de dezembro de 2024

TSARA QUENTE

Desejo sua tsara quente.
O pão ofertado.
E quando faltar as sandálias
Não lhe falte poeira  que suba na estrada e faça você continuar.
Caminhas se quiser.
Se não esmoreça em alguma parada qualquer.
A lua continuará a iluminar as profundas fendas da sua pele.
Refletirá sua luz no olhar se assim tu quiseres.
Dourado é a luz que desce em ti.
Se transmuta com o puro lilás.
Riqueza sem explicação.
Humanos, humanos...
Só nos resta a boa fé.
Eu lhe mando a chuva.
Tu aceitas se quiser.
Eu mando a benção.
Tu rejeita se quiser.
Te mando a sorte.
Tu rola os dados se quiser.
No pedido que se decreta 
A magia se fortalece.
A certeza do sol perante a tempestade nada mais clichê, nada mais sal.
A roda da carroça para
E então? 
Trocamos amanhã.