Meu irmão tocava os discos do "pantera " na vitrola, eu contei, eu poderia ter falado também que fui um milagre, uma dessas histórias de família que gosto de contar para os "chegados". Mas não contei.
E ele sabe que deveria, que tem mais, muito mais estória, que sou uma bela colcha estendida, tipo aquele pano colocado em uma sacada colonial, cuidadosamente feito de retalho, ponto a ponto e estendido para ser admirado.
Ah! Você existe, diz ele ao encontro, isso não dará certo, também diz, já prévendo o beijo tanto desejado; saltará da ânima, virá como a batida forte da forja na bigorna do talentoso ser ancestral que habita nele.
Como não saber de pronto.
Eu sou e a potência de ser, afasta o abnegado.
Ele vive outra estória, de sangue e luta e eu, ah! eu vivo a minha.
Ele deseja puxar a cadeira e fazer- me sentar, ouvir minhas estórias de grimório, deseja não perder algo raro. Outro anseio de tempos passados já vividos. Desconhece ele sua preciosidade.
Eu só queria ser o convencional, sem raridade, sem depois, só o aqui agora, no preparo do drinks, no choro expressado no desejo reprimido, no grito mal colocado.
Sim eu gritei e chorei, dor que veio do fundo colossal do espírito.
Eu queria ter dançando com você. Eu queria te puxado a cadeira, agora e antes.
Segue o abnegado, não sei ao certo se foi só um golpe do destino, daqueles que vem de tempos em tempos como tufões para mudar a paisagem do nosso viver.
Mas ele não é um ser que vive, foi criado assim, abnegado, em prol da luz do outro.
Mais um Maktub se concretiza em minha vida.
Mais uma querência, mais um poderia, mais um reconhecimento, mais um sentimento sem igual, capaz de atravessar todo rio empipocado dentro de mim, toda potência para ser.
Mas não é, não choro, sigo adiante, sinto raiva.
Dúvidas, sei que encontrarei minha outra parte, sei que a linha das cartas já estão postas e outras estrelas aparecerão.
Não sei se tão potentes quanto esse abnegado ser,
mas essa minha outra alma se foi, eu a reconheci em sua honra.
Dúvida, raiva, ciúmes, ego, ainda sigo meu caminho do calvário, gostaria de entender o porquê outra donzela foi possuidora de tí e eu o vento, só pude, atravessar você. Eu que sempre estive lá.
O calvário acabará, um dia eu sei, para ambos e entenderemos a noite quente, não naquele tempo, mas no tempo em que um "pub" era um um "pub".
Uma taverna ancestral, onde toda noite eu servia ao abnegado monge o mesmo hidromel, mesmo ele desejando tomar cerveja.
Mesmo ele desejando beijar meu colo desnudo, sensual e mágico.
Mesmo ele desejando se deleitar em meus cabelos e tocar minhas mãos quando á serviço.
O mesmo monge, a mesma bruxa.
Agora ele me diz, viva, como eu em outrora entoava o sigilo mágico nele, viva.
Somos duas potências, ansias da deusa sob a terra olhando para margens opostas mas que cuminam na mesma fonte sagrada.
Os olhares se cruzam na taverna.