quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

CAVALO BRANCO

As cartas do tarô dissem.
O baralho desembaralhar a vida.
A rosa trouxe você pra mim.
Vejo você anotando no caderno 
Datas? Números? Intuições?
Mensagens da natureza.
Adentra sua psique.
Faz mironga no coração.
Ativa o santo ori.
Lá do oriente.
Vem chegando o cavaleiro.
O príncipe no seu cavalo branco.
Mas nessa fatídica noite ele se banha de lama e sangue.
Ante o penhasco ele se assusta
Chuva forte, nunca vi igual.
O vento presságia a chegada real.
Orgulho quebrado, como a coluna soberana,soberba mistura com o cheiro da inflexível armadura.
Quase não posso narrar não vejo, apenas o levanto, vou arrastando, retiro o peso, deixo o leve para seguir até a casa.
A casa da bruxa.
Banho.
Ainda desmaiado, consigo com esforço coloca-lo no leito.
Água.
Cuidados, choros, amores 
Atravessou o mar, deixou o ouro.
Encontrou a liberdade.
Onde a cabeça reina as pernas alcançam.
Desfruta a vida com a bruxa.
Outro dia, o cavalo retorna.
A vida continua.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

histeria

Bálsamo, remédio curador.
Tomo doses de escrita, pra compor minha anti dor.
Tento me curar 
Vou á lama desse ser, tão profundo, tão impertinente, me perguntou porque da criação.
Escolhas que nós fazem estar onde não queremos estar.
Mas se não fosse para estarmos onde estamos onde fica o livre pensar.
No penar do determinismo.
Sou um ser errante, que poucos gostam, me chamaram de louca, me sinto um Dom Quixote de la Mancha em seu delírio paranóico.
E os que gostam faço não gostar, precisava de sangrar com o aparato de Mesmer.
Muito sangue pra rolar até se acalmar.
Tinge as vestes l' crema.
O sol francês queima.
Lá vou eu revisitar.
Não quero essa onda, prefiro sofrer aqui.
Imóvel...insiste, o cheiro do sangue chega às narinas.
Não consigo, vejo toda cena histérica.
Sinto a força das vestes e o chaqualhão da carruagem:
_ Ela não tem mais jeito, nem a sangria resolve.
_Silêncio, vai acordar os vizinhos, basta os gritos abafados. Se deixarmos nos ver o dr nos mata.
_ Ela adormeceu? Linda senhoria, deveria estar a bordar enxoval,porque deus?


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

SENTIR AMOR

Eu quero escrever.
Mas a máxima do amor não deixa.
Esse tal de querer palpitar o amor.
Faz de nós poetas uns tolos, loucos, soberanos.
Eu quero escrever.
Pelo simples ato de construir sentir.
Mas o desejo de expressar amor perturba as horas vans.
Sublime a experiência de amar.
Poder viver a boêmia, no boteco da esquina e ver a lua nascer, expresiva e mágica.
Como amamos a lua, como amamos o sol.
Como amamos o momento de partilha.
Transbordar amor é sobre isso que quero escrever.
Bobagem a minha! É sobre isso que quero sentir.


domingo, 12 de janeiro de 2025

O ABNEGADO

Meu irmão tocava os discos do "pantera " na vitrola, eu contei, eu poderia ter falado também  que fui um milagre, uma dessas histórias de família que gosto de contar para os "chegados". Mas não contei.
E ele sabe que deveria, que tem mais, muito mais estória, que sou uma bela colcha estendida, tipo aquele pano colocado em uma sacada colonial, cuidadosamente feito de retalho, ponto a ponto e estendido para ser admirado.
Ah! Você existe, diz ele ao encontro, isso não dará certo, também diz, já prévendo o beijo tanto desejado; saltará da ânima, virá como a batida forte da forja na  bigorna do talentoso ser ancestral que habita nele.
Como não saber de pronto.
Eu sou e a potência de ser, afasta o abnegado.
Ele vive outra estória, de sangue e luta e eu, ah! eu vivo a minha.
Ele deseja puxar a cadeira e fazer- me sentar, ouvir minhas estórias de  grimório, deseja não perder algo raro. Outro anseio de tempos passados já vividos. Desconhece ele sua preciosidade.
Eu só queria ser o convencional, sem raridade, sem depois, só o aqui agora, no preparo do drinks, no choro expressado no desejo reprimido, no grito mal colocado.
Sim eu gritei e chorei, dor que veio do fundo colossal do espírito.
Eu queria ter dançando com você. Eu queria te puxado a cadeira, agora e antes.
Segue o abnegado, não sei ao certo se foi só um golpe do destino, daqueles que vem de tempos em tempos como tufões para mudar a paisagem do nosso viver. 
Mas ele não é um ser que vive, foi criado assim, abnegado, em prol da luz do outro.
Mais um Maktub se concretiza em minha vida.
Mais uma querência, mais um poderia, mais um reconhecimento, mais um sentimento sem igual, capaz de atravessar todo rio empipocado dentro de mim, toda potência para ser.
Mas não é, não choro, sigo adiante, sinto raiva.
Dúvidas, sei que encontrarei minha outra parte, sei que a linha das cartas já estão postas e outras estrelas aparecerão.
Não sei se tão potentes quanto esse abnegado ser, 
mas essa minha outra alma se foi, eu a reconheci em sua honra.
Dúvida, raiva, ciúmes, ego, ainda sigo meu caminho do calvário, gostaria de entender o porquê outra donzela foi possuidora de tí e eu o vento, só pude, atravessar você. Eu que sempre estive lá.
O calvário acabará, um dia eu sei, para ambos e entenderemos a noite quente, não naquele tempo, mas no tempo em que um "pub" era um um "pub".
Uma taverna ancestral, onde toda noite eu servia ao abnegado monge o mesmo hidromel, mesmo ele desejando tomar cerveja.
Mesmo ele desejando beijar meu colo desnudo, sensual e mágico.
Mesmo ele desejando se deleitar em meus cabelos e tocar minhas mãos quando á serviço.
O mesmo monge, a mesma bruxa.
Agora ele me diz, viva, como eu em outrora entoava o sigilo mágico nele, viva. 
Somos duas potências, ansias da deusa sob a terra olhando para margens opostas mas que cuminam na mesma fonte sagrada.
Os olhares se cruzam na taverna.